Festa de Nossa Senhora do Rosário

Festividade

Histórico: “Quase todo itaunense sabe que a Festa do Reinado, ou do Congado é centenária. Mas poucos conhecem as origens desta festa. Esta falta de conhecimento é, em parte, pela ausência de regischeapest jordan 4s nike air max 270 nike vapor max nike air max 97 gucci nike air max 270 men’s nike jordan series 06 cheapest jordan 4s nike air max pre day max white shoes max white shoes nike jordan series 06 air jordan 4 retro military black nike air jordan 1 mid se max white shoes air max 95 tro no passado e as dificuldades enfrentadas pela própria população, que nem sempre teve o cuidado de registrá-la ou de deixar elementos destas festas para a posteridade. No entanto, temos que recorrer a memória dos mais velhos para identificar alguns elementos do passado e, a partir desta memória oral, registrar as informações necessárias que possa narrar a história desta festa. Este trabalho foi, em parte realizado e agora está sendo escrito. Mas até este texto ficar pronto, registraremos aqui o que sabemos sobre a festa mais popular de Itaúna: a Festa do Reinado de Nossa Senhora do Rosário.

Os primeiros registros sobre a tradição da Festa de Nossa Senhora do Rosário em Itaúna datam de 1853, quando das trocas da Matriz de Itaúna para uma antiga capela dedicada à Nossa Senhora do Rosário, situada na atual praça da Matriz. A existência desta capelinha dedicada a Nossa Senhora do Rosário nos é apontada por João Dornas Filho, na página 22 do livro “Itaúna – contribuição para a história do município”. No entanto, é provável que este festejo popular seja anterior a esta data, visto a existência de uma capela dedicada à Virgem do Rosário, sendo tradição em Minas Gerais a existência de confrarias e irmandades da população de origem africana.

Ainda é João Dornas que afirma que “desde 1856 até 1930, realizavam-se nella os festejos do Reinado da Senhora do Rosário” (p.16). Assim sendo, podemos tomar como certo que a Festa de Nossa Senhora do Rosário tem sua existência confirmada já no ano de 1856, mas podendo ser anterior a esta data pela existência da Capela a ela dedicada e que deu seu lugar à Matriz de Sant’Ana. E após 1930 a Festa do Rosário passa a ser celebrada na Capela de Nossa Senhora do Rosário no alto do morro (atual capela).

Embora tenhamos isso como certo, devemos recorrer ainda a João Dornas Filho em outra brilhante passagem de sua obra já citada onde diz:

Grande centro de escravos que era a freguesia, os pretos resolveram um dia construir, nas horas de folga, uma capella para a sua santa. Concluída em 1845, trataram de transportar para ella a imagem da Senhora do Rosário, com grandes e ruidosa festas semi-barbaras(sic). A imagem, entretanto, não permanecia na nova capella. Foi quando o padre Miranda, então vigário da freguesia, propôz(sic) mudar-se a Matriz, para a capella de baixo, deixando a do morro para a Senhora do Rosário. E fez-se a troca. A toque de caixas e canto de reinado, foi reconduzida a imagem para a capella (sic) do alto, onde está até hoje e de onde nunca mais desappareceu(sic)… Isso é que originou uma das mais pittorescas(sic) tradições de Itaúna, que é o Reinado, extinta por ondem archiepiscopal(sic) em 1930.

Aqui ponto importante é a extinção da festa do Reinado por ordem de D. Cabral. Fato é que, na década de 1930 e 1940, o arcebispo da Arquidiocese de Belo Horizonte, D. Cabral, visando a purificação dos ritos católicos proibiu que os grupos de Congado entrassem nos templos com seus instrumentos e danças. Em Itaúna, ocorreu uma ruptura entre os negros que faziam a Festa de Nossa Senhora do Rosário. Foi por este motivo que os negros, proibidos de entrarem na Capela de Nossa Senhora do Rosário, deixaram de pertencer a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e fundaram uma nova Irmandade denominada de Irmandade das Sete Guardas e construíram ao lado do antigo templo uma nova capelinha onde continuaram a realizar a Festa de Nossa Senhora do Rosário. Com o tempo estas duas Irmandades passaram a conviver novamente e voltaram a organizar os festejos em conjunto.

Mas retornando aos escritos de João Dornas assim descreve como era os festejos até a década de 1930:

Consistia essa festa, meio pagã, meio religiosa, que se realizava a 15 de agosto, em dansas(sic) e cantos africanos acompanhados de caixas, xique-xiques, caxambus, violas, sanfonas, adufes, etc. Os negros vestiam roupas coloridas, ornamentavam-se de fitas, espelhos, vidrilhos, e, organizados em filas militarizadas, se dirigiam cantanto e dansando(sic), precedidos da bandeira com a effigie(sic) da Senhora do Rosario, á(sic) residencia(sic) dos reis da festa. Estes que eram escolhidos annualmente(sic), seguiam até a capella(sic) com solennidade(sic), sob o palio, paramentados com as insígnias reaes – sceptro(sic) e corôa(sic) de prata acompanhadas pelos negros. Chegados à capella(sic) e instalados(sic) num docel, os reis presidiam a mesa das promessas, que eram cumpridas em volta da egreja(sic), com acompanhamento dos pretos. Era votos feitos por milhares de pessoas, em retribuição a graças concedias pela Senhora do Rosário. Eram três dias de festejos retumbantes, durante os quaes(sic) a melhor sociedade de Itaúna se divertia e orava com os negros, em louvor da santa dos humildes. Era a festa mais alegre e popular da cidade…”

Texto retirado do Caderno do Patrimônio Cultural de Itaúna: Bens Patrimoniais Tombados e Registrados. Edição 01, Itaúna: Codempace, 2017.